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Araguaia | 12/04/1972 | Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos

A chegada dos primeiros agentes. O inicio da guerrilha.
Por Criméia Alice Schimidt de Almeida
  • "Em março de 72 fui para Xambioá. Sempre ia fazer compras – sal... A mulher do hotel me conhecia bem e falou:
    - Olha, passaram os federais aqui procurando terrorista." 4 [Depoimento de José Genoino Neto ao jornal Movimento].

 

  • "No começo, os soldados apanharam muito, lembrou E. a Veja na semana passada. Os corpos vinham nos helicópteros que desciam na base aérea e eram colocados em carros frigoríficos. Cerca de um mês depois da chegada das tropas, E. ouviria o comentário de um soldado: com esse, são onze. Mais tarde, a contagem subiria para 32. (...) É provável, contudo, que não tenham passado de 60 os soldados mortos." 5

 

  • "Uma guerrilheira conhecida como Regina (...) contraiu uma doença tropical em fins de 1971 e foi enviada a São Paulo para tratamento. Na capital paulista, Regina revelou a seus pais o que se preparava no sul do Pará e os familiares da jovem transmitiram as informações ao Exército. Em Xambioá, de qualquer forma, circulou a versão de que os órgão de segurança souberam das atividades dos grupos graças às informações de uma guerrilheira que abandonara o núcleo levando quantias em dinheiro.
    Na tarde de 13 de março de 1972, um velho caminhão Ford estacionou no centro de Xambioá conduzindo na carroçaria uma dúzia de homens com a barba e o cabelo crescidos, trouxas de lona, pás e picareta. Eram agentes dos órgãos de segurança que escoltavam um extremista cearense, Pedro, preso semanas antes em Brasília, onde confessara ligações com grupos que operavam no interior do país. (...) Pará da Lama, acima de São Geraldo: ali, pouco depois, os agentes surpreenderam guerrilheiros liderados por Paulo Rodrigues, comandante de um dos destacamentos, e fizeram um prisioneiro – Geraldo, goleiro do time da cidade. (...) Os focos guerrilheiros haviam sido descobertos." 5

 

  • "Nos primeiros dias de abril ficamos sabendo da presença de desconhecidos na região, que procuravam pelos ‘paulistas’, recordou para Veja, no mês passado, o ex guerrilheiro José Genoíno Neto. A princípio os militantes do PC do B acreditaram que era o Exército à procura de homens do Movimento de Liberação Popular (Molipo), detectados no norte de Goiás semanas antes (...) e no dia 15 soubemos que o Exército atacara a região, fazendo prisões em Xambioá." 5

 

  • "Então, Xambioá já era outra: todas as ruas eram intensamente patrulhadas, cartazes com fotos de terroristas pontilhavam paredes e postes. (...)
    As tropas entraram na mata pensando que não haveria problemas, mas só num dia, perto de Brejo Grande, morreram dezesseis soldados, disse a Veja um integrante do 51º Batalhão de Infantaria da Selva (BIS).5

 

  • "A primeira etapa das operações antiguerrilheiras, encerrada em julho de 1972, reservou alguns dissabores para o Exército. Ainda em abril, um dos primeiros destacamentos ao vasculhar a selva foi emboscado por um grupo chefiado por Osvaldão, na localidade de Santa Cruz. Um sargento da Aeronáutica morreu e os soldados restantes bateram em retirada.
    (...)
    O equipamento de telecomunicação, por exemplo, passou a apresentar dificuldade – e o Exército acabou se valendo, para se comunicar com Brasília, da aparelhagem de rádio da Viação Araguaína, cujos ônibus cobrem a Belém-Brasília.
    (...)
    Em setembro, todavia, o Exército voltou – e já com a estratégia reformulada. Coordenadas por três generais – Antônio Bandeira, Viana Moog e Hugo Abreu – as tropas contariam nos meses posteriores com a assessoria do coronel Hermes de Oliveira, do Exército português, um veterano das guerras coloniais na África. Agentes dos órgão de segurança foram espalhados pelos lugarejos e fazendas da região. (...)." 5

 

  • "A 12 de abril – a data é lembrada pelo ‘gerente’ do hotel Nossa Senhora de Fátima, em Xambioá – chegou o Exército.
    Guiado pelo sistema de informações de segurança, um grupo de oficiais à paisana se hospedou no hotel e começou a atuar." 7

 

  • "As Forças do Governo empreenderam 3 campanha de cerco e aniquilamento contra os guerrilheiros do PC do B. Toda essa movimentação militar durou 2 anos e 9 meses, de abril de 1972 a janeiro de 1975. Ao todo, o governo empregou cerca de 10.000 homens (não apenas numa campanha, mas durante todo o período). (...) Mas o segredo, imposto pelo governo, chegou a ser tão bem guardado, que nem a imprensa internacional conseguiu acesso a informações mais precisas sobre essa guerrilha do Araguaia.
    (...)
    Primeira Campanha: o Exército é alertado pelas polícias militares de Marabá e Xambioá de que há estranhos subversivos na região. As PMs daqueles ermos, que poderiam usar o lema ‘sempre em defesa do mais forte’, eram constantemente informadas por grileiros e fazendeiros, acostumados a resolver a bala e sem revide os seus problemas com os posseiros, de que havia uma certa resistência, comandada por ‘gente de São Paulo’. As informações iam além: os ‘paulistas’ ensinavam o povo dos lugarejos a ler e haveria até médicos no meio deles, porque distribuíam muito remédio ‘que não era amostra grátis’.
    Um grupo de ‘pessoal especializado’ é enviado à região e, junto às PMs das duas cidades, começa a investigar. Depois de alguns meses, concluem os ‘especializados’ : tratam-se de estudantes subversivos do Sul em fase de ‘refrescamento’, ou seja: saindo de circulação nas grandes cidades, onde seus nomes eram conhecidos do DOPS, e se fixando na região até a coisa acalmar.
    Foi um erro de avaliação. Sabe-se, de fontes militares, que, nessa fase de investigações, o próprio governo federal não deu muita atenção ao caso, que ficou basicamente a cargo do Serviço Nacional de Informações (SNI) e órgãos paralelos, como o DOI-CODI e outros. (...)
    E assim, no dia 12 de abril de 1972, cerca de 2 mil homens das Brigadas de Infantaria da Selva (BIS) e outras unidades da área, mais pessoal de Brasília e Rio, inclusive pessoal à paisana do Comando Militar do Planalto, tomam de assalto a região do baixo Araguaia, fazendo de Marabá e Xambioá suas cidades-quartéis. Depois, quando se conclui que os "paulistas" não eram subversivos comuns (estudantes e alguns operários), mas uma força militar organizada do PC do B que conseguira cativar as populações locais, chegaram reforços de todo o país, além de lanchas da Marinha que vasculhavam o Araguaia, e helicópteros e aviões da Força Aérea Brasileira, no apoio. A Transamazônica recebeu cerca de dez postos de patrulhamento e a Belém-Brasília, seis. ..." 9

 

  • "Veio o dia 12 de abril de 1972, (...) As forças do governo invadem as cidades, as estradas, os rios. Já sabem que em Gameleiro, Caiano e Faveiro há focos de ‘terroristas’. A polícia militar local começa a apontar todas as pessoas que têm relações com os ‘paulistas’, ou seja, quase toda a população dos lugarejos e algumas pessoas das cidades de Xambioá e Marabá. E qualquer suspeito, desconhecido ou com ‘jeito de gente de fora’, teria de ser detido para interrogatório. (...) só não podia contar com a insensibilidade do ‘pessoal especializado’, que desde o começo exagerou nas torturas a suspeitos, já que, de guerrilheiro mesmo, só foi preso José Genoíno Neto, do destacamento de Gameleiro..." 9
    "No lugarejo de Faveiro, onde havia um destacamento guerrilheiro, os ‘especializados’ não foram com a cara de Eduardo, vendeiro local.
    - Era uma venda boa, barracão coberto de telha, diz um dos habitantes da região, hoje. Seu Eduardo foi preso, os ‘federais’ bateram no corpo todinho dele, amarraram depois ele num pau e fizeram um desfile com ele em São João do Araguaia (outro lugarejo), dizendo que era para o povo ver o que acontecia com terrorista. Mas todo mundo sabia que seu Eduardo era um homem de bem. Ninguém nem sabia o que era terrorista. E ninguém acreditava que os ‘paulistas’ fossem nada daquilo que os homens falavam. Aí todo mundo pensou que a gente estava apanhando por causa dos grileiros que queriam tomar a terra da gente. E ficou todo mundo com muita raiva da polícia e do Exército, porque a gente nunca pensou que o Exército (a polícia não, todo mundo já conhecia...) se prestasse a fazer defesa de grileiro. E aí todo mundo deu razão aos ‘paulistas’ que diziam muito que só a gente podia salvar a gente mesmo, que quem tivesse farda ou tivesse dinheiro estava contra a gente (...) E todo mundo ficou torcendo para não pegarem os ‘paulistas’." 9
    "Os civis não podem entender o que é uma guerrilha, dentro de um grupo militar. Na primeira fase, nós não pegávamos ninguém e os soldados morriam na mata. As pessoas não queriam colaborar. Tudo contra. E você pega um superior, depois de você quase ter morrido na selva, e vem o superior e diz: O Brasil gastou uma fortuna com a sua formação, a sua educação, e você é um fracasso, todos vocês são um fracasso, não conseguem pegar um punhado de terroristas espanhados por aí ... Isso deixava os soldados e mesmo os oficiais em pânico. E aí aconteciam essas coisas(...)" 9

 

  • Entrevista do jornalista Fernando Portela com oficial do Exército que não quis se identificar:
    Sobre como foi descoberta a preparação da guerrilha pelo Exército:
    "Mas sempre ouvi a expressão ‘por acaso’. Não me lembro mais como foi esse ‘por acaso’. ...O Exército foi fazer alguma operação no Araguaia, dessas de treinamento, e deu com alguma coisa lá que chamou a atenção (...) talvez tenha sido a perseguição a esse pequeno grupo esquerdista, o MOLIPO (Movimento para a Libertação do Povo), no Norte de Goiás, só não acredito muito em vazamento de informações através de guerrilheiro, nisso realmente eu nunca ouvi falar, há muita fantasia, sabe? Se fosse algo assim eu saberia com certeza."
    Sobre o despreparo dos conscritos na primeira ação do Exército:
    "Os conscritos (...) os recrutas, entraram totalmente despreparados (...) Porque, infelizmente, a verdade é esta: quando o homem está em serviço militar, a finalidade maior é fazê-lo apto a matar, para se defender, isso sem entrar no mérito da questão, se é certo ou errado, não interessa o caso (...) E, depois, os conscritos que entraram de cara na guerrilha não ganhavam para aquilo, só para fazer o serviço militar."
    Sobre o número de militares empregados no combate à guerrilha:
    "Não posso informar sobre números. (...) ... e passou a usar tropa especializada, profissional, gente que veio do Rio, de Brasília, inclusive a Brigada de Pára-quedistas do Exército, que tem sede no Rio. É uma tropa de elite, que sabe sobreviver na selva, tem curso teórico e prático de guerra antiguerrilha, desembarque, comando, tudo isso. Mas havia muita gente de outros lugares da área amazônica: Belém, já falei, do Oiapoque, tropa de fronteira, de Manaus (...) Mas as tropas profissionais, especialmente as do Norte, andaram apanhando também (...) É o COSAG, Comando de Operações em Selva e Ações Anti-guerrilha (...) Com certeza o COSAG enviou instrutores, gente de coordenação, mas não tropa (...) e o pessoal partiu para a tropa descaracterizada: pessoal à paisana, cabelo grande, barba comprida, bastante dissimulado mesmo. (...) Quando viu que o negócio estava mais feio do que se esperava tirou os recrutas da zona de combate, deixou um ou outro para treinamento, adestramento, e veio o grossos das forças do Sul. Aí a coisa virou. ..."
    Sobre o envio de recrutas ao ataque à guerrilha:
    "Houve talvez uma má avaliação da situação militar dos guerrilheiros. Esperava-se encontrar uma coisa mais fácil e que apenas a presença dos soldados fosse assustá-los, e eles fossem logo dominados, sem necessidade de tropa de elite. (...) hoje não posso dizer, mas se na época houvesse um surto guerrilheiro, uma guerrilha, espalhada pelo território nacional, o governo não teria condições de segurar o Brasil todo. Mas dificilmente haveria guerrilheiros para levantar o País todo. Lógico que uma Rússia, Cuba ou China, um país que estivesse interessado nisso, teria de jogar muito dinheiro e muita gente aqui. Em contrapartida a gente também teria ajuda do estrangeiro, o americano corria para cá, o europeu, enfim, o pessoal, digamos assim, nossos aliados (...) O pessoal julgou que fosse menos gente (...) não esperava uma reação violenta como aconteceu ..."10

 

  • "Antes do Exército chegar, o Beto foi lá em casa e falou com o papai. Eles queriam mudar pro outro sítio e pediram que eu ficasse lá tomando conta da casa e do comércio, que eles voltavam de 15 em 15 dias. O papai concordou e eu fiquei lá, sozinho na casa. Dormia lá, vinha fazer compras aqui em Marabá. Quando era fim de mês, o Beto vinha, a gente acertava tudo, ele me pagava, e voltava prá lá. Bom, quando foi um dia, a 27 ou 28 de março de 72, chegou o Exército procurando por eles.(...)
    Chegou paisano. Tudo diferente, ninguém nunca tinha visto. Eram meio barbudos, cabeludos. Chegaram lá à tarde. Fazia três dias que o Beto tinha saído. Eu estava tirando umas laranjas e eles chegaram num barco da prefeitura de São João. Eram muitos, bem uns seis. Tudo a paisano. Nesse dia eles conversaram muito. Sentaram e foram perguntando tudinho. Eles tinham arma, revólver metralhadora. Aí começaram a fazer um bando de perguntas. Eles já sabiam os nomes deles, sabe? (...)
    Aí eles invadiram a casa. Olharam tudinho, mexeram em tudo. E perguntavam se eu nunca vi arma. Eu disse que a arma que eu vi era arma normal, que todo mundo usa para caçar, espingarda, cartucheira. Outra arma eu nunca vi. Eles perguntaram: onde é que eles estavam? Eu disse que no centro. Você nunca foi lá? Eu disse que não, não sei nem o rumo. Aí eles ficaram lá em casa, arranchados. (...)
    A noite estava eu, meus irmãos e um senhor que trabalhava com a gente. Quando foi negócio de umas sete horas, bateram na porta chamando. Pensei que fosse algum vizinho. Quando chamou três vezes, eu acordei o moço que ajudava, seu Raimundo. Levantamos e abrimos a porta e eram eles. Era o Beto, Alice, Zé Carlos, Alandim e um senhor goiano, que nunca tinha visto. Eles eram dez. mas só entraram cinco e cinco ficaram perto de casa, acampados. Eu abri, eles entraram, começaram a conversar, procuraram saber do papai, eu disse que estava pra Marabá. Perguntaram pelo pessoal do Exército. Aí eu contei tudinho, como eles tinham feito a primeira vez que chegaram lá, querendo informações deles, dizendo que eram parentes deles. Contei que o papai tinha ido pra Belém. Aí eles disseram que estavam com fome. Perguntaram o que tinha pra comer, eu disse que comida feita não tinha. Eles tinham deixado uns porcos pra gente tomar conta. Então mataram um porco, pelaram e fizeram janta. Estavam todos armados, sabe? Revólver, rifle 44, Zé Carlos trazia um fuzil e o Goiano trazia uma metralhadora, dessas de 30 tiros.(...)
    Sujos. Tudo de calça top. Botina, mochila, camisa escura, manga comprida. Alice estava com uma blusa amarela. Aí eles começaram a conversar com a gente e contaram tudinho. (...)
    Aí eles comeram uma banda do porco. A outra banda eles levaram. Pediram fumo, anzol pra pescar, pólvora, chumbo. Porque o boteco era deles e eles deixaram a gente tomando conta. E foram embora. (...)
    Eles saíram de lá mais de onze horas da noite. Foram embora e não apareceram mais. (...)
    Um dia o pessoal do Exército fez um tiroteio lá na casa deles, duas horas da manhã mais ou menos. Atiraram prá lá, foi tiro que só. Quando foi à tarde, teve outro tiroteio, mais ou menos duas horas. Aí eles queimaram a casa, botaram fogo em tudo. Não tinha ninguém na casa. Acho que o Exército pensou que eles estavam lá. Os soldados incendiaram e foram embora.(...)"
    20

 

  • "Eles (soldados) ficaram lá oito dias. E ficaram lá só perguntando. Perguntando e escrevendo. Tudo que a gente dizia, eles escreviam. A gente não sabia o que eles eram, porque nunca disseram. Diziam que era gente do INCRA. Então uns ficavam lá e outros iam pra Marabá, e quando era tardezinha voltavam. Tinham uma voadeira. Até que um dia eles disseram:
    - ‘Seu Eduardo (o pai de Lauro e marido de Dª Maria) não tem mais problema com o senhor. O senhor vai e pega a mercadoria que tem naquela casa, e não pise mais lá, de maneira nenhuma.’ O Eduardo estava de saída para Marabá. Ele ia vender uns porcos. E eles disseram: ‘O senhor não vai para Marabá? Nós o levamos.’ E levaram Eduardo. Na saída, o soldado pegou o fuzil e deu um tiro pra cima. Aí eu disse pros meninos: ‘Meninos, o pai de vocês vai preso e ele não vai voltar logo.’
    (...)
    Quando ele estava preso no Tiro de Guerra, eu vim a Marabá. Cheguei, ele não estava na delegacia, ninguém sabia dele. Cheguei em Marabá à noite e foi aquela confusão de avião. Era só avião, avião, avião, o povo ficou todo assombrado. Duas horas depois chegou um soldado e disse que era pra eu levar uma rede pra ele. Aí eu tive certeza de que ele estava no Tiro de Guerra. Todos que o Exército prendia na mata, ele tinha que ver, pra saber se era algum desses conhecidos. Em Belém também ele ficou só vendo fotografia.. Ele viu foi monte. Passou quase dois meses em Belém (...)
    Ele conheceu só a dona Maria e o seu Mário, nas fotos. Por fim, eles disseram que o pessoal era terrorista. Que era pro Eduardo voltar, mas se um dia eles saíssem da mata e Eduardo visse, era pra correr e avisar o pessoal do Exército.
    (...)
    Mas eu agüentei até que o Eduardo chegasse, dia 29 de maio. No dia 30 nós viemos pra Marabá e deixamos o Lauro lá em Faveira, com os pequenos. Quando nós saímos, viajamos um quilômetro e um cunhado alcançou a gente e disse que o Joca mais uma turma tinha ido lá feito janta e tudo." 20 (Entrevista de Maria Brito Rodrigues ao jornalista Luiz Maklouf)

 

  • "Tava todo mundo dormindo lá em casa, quando chegou o guerrilheiro ‘Antônio’, chamando o meu marido, o Sitônio. Antônio pediu que meu marido passasse no outro dia na sua casa para apanhar o rádio e a radiola e levar para guardar e disse: ‘se um dia nós voltarmos aqui, o rádio e a radiola são nossos, se não voltarmos são de vocês’. Ninguém dormiu mais, pensando que o Antônio tinha roubado aquela moça a ‘Cristina’, e os pais tinham vindo atrás dela. Quando a gente foi na casa dele, tava vazia, só com o ‘Nilo’ lá. Nilo pediu a Sitônio que levasse ele até a estrada Transamazônica. Saíram a noitinha e o Exército mandou eles parar. Nilo ficou todo tremoso, emocionado. Perguntaram ao Sitônio se ele conhecia alguma família branca e ele negou. Nilo ficou na estrada e Sitônio voltou.
    Na manhã seguinte –
    continua dona Maria – Sitônio encontrou um compadre que lhe falou no perigo. Depois, ele encontrou os mesmos soldados da noite anterior. Os soldados prenderam Sitônio e foram atrás de Nilo e disseram para o Sitônio: ‘se a gente não pegar mais ele, tu vais pagar no lugar dele’. Nilo já tinha sido preso perto do Porto da Balsa. Amarraram os dois e mandaram para a cadeia de Marabá. Depois Nilo foi mandado para Belém vivo e depois ouvi falar que mataram ele. (...)
    Eles obrigaram o Sitônio e outros moradores a servir de guia para os soldados, senão apanhava. A gente vivia tudo doido, a cabeça não tinha sossego." 28 [Nilo é Danilo Carneiro, foi preso e torturado mas sobreviveu].

 

  • "No dia 11 de abril – conta a sobrevivente – eles chegaram ao centro mais próximo, a uns 12 quilômetros de onde estávamos. Eram uns 20 homens, sem farda, usavam botas altas, calças de brim azul, estavam armados de fuzis. E pediam informações, dizendo-se nossos amigos. O vizinho indica o caminho mais próximo. Mas, na verdade, era o mais longo. (...) O grupo de 20 homens precisou pernoitar num lugar, devido à longa caminhada. Nesse meio tempo, o vizinho manda avisar os guerrilheiros, descrevendo os visitantes.
    - Nesse dia, deixamos claro para os camponeses as razões de nossa presença no local. Dissemos que não tínhamos amigos, como aqueles que nos buscavam. Eles nos procuravam pelo nome que usávamos na região.
    Numa oportunidade, os integrantes do Destacamento A atravessaram a Transamazônica, cercada pelo Exército, e ficam isolados entre a pista e o rio.
    - Eles ficaram sabendo que estávamos lá, e fizeram o cerco – conta Criméia. Passamos algum tempo dentro do cerco. Avisaram a população que iriam envenenar a água dos rios, para nos apanhar. Assim, a população tinha de usar os olhos d’água, para se abastecer.
    O destacamento passou em pleno dia, garante a ex-guerrilheira. Escondendo as armas em feixes de lenha, que carregavam sobre a cabeça e usando sacos comuns como saias. (...)
    A coisa durava meses e a gente continuava na selva. Eles sabiam que estávamos lá, mas não conseguiam localizar. A impressão que tínhamos era de que eles haviam ido à região para uma campanha rápida. E isso não estava se concretizando.
    A 12 de abril, o grupo de 20 homens chega próximo à casa [chega à casa] em que o Destacamento A (sete pessoas, entre homens e mulheres) vivia.
    - Julgamos que não seria possível enfrentá-los, o mais importante seria avisar os demais destacamentos, e ver o que se faria. Como eles não usavam fardas, não sabíamos quantos eram na região. Assim, alguns de nós ficaram a uns 50 ou 100 metros deles, na selva, para ver que tipo de gente era.
    O grupo de 20 homens entrou na casa, mas não havia ninguém. Depois aparecem helicópteros e aviões, sobrevoando o local. Os guerrilheiros fugiram para a mata. Para fazer propaganda da guerrilha, de casa em casa.(...)
    O relatório de Arroyo sobre a primeira campanha atribui a descoberta dos destacamentos guerrilheiros à traição de um certo Pedro Albuquerque, que teria fugido do Destacamento C, com a mulher.
    Em março de 1972 – relata o documento – soube-se que Pedro Albuquerque havia sido preso no Ceará e, em seguida, começou a pesquisa policial na zona. [Segundo doc. militar, os agentes de informação começaram a atuar em janeiro, isto reforça a hipótese de ter sido Regina a delatora e não Pedro]. (...)
    O documento deixa claro que a Comissão Militar desconhecia alguns fatos, como por exemplo, o contato entre o Destacamento A e o grupo de 20 homens que Criméia de Almeida se refere." 59 [O ataque dos 20 homens se deu onde estava Maurício Grabois, da Comissão Militar e o Relatório Arroyo faz referência ao mesmo].
    "Foi organizada, então a Operação Axixá, a primeira investida de combate à guerrilha, inciada em fevereiro de 1972, segundo o Relatório Especial de Informações n.º 2/12, protocolo 2.309, encaminhado pelo tenente-coronel Arnaldo Bastos de Carvalho Braga, em 20 de março de 1972, ao ministro do Exército, Orlando Geisel. O documento, que chegou às mãos do ministro-chefe do Gabinete Militar, general Hugo de Abreu e, enfim, ao presidente Emílio Médici, faz críticas à primeira ação contra a guerrilha e apresenta sugestões de como deveriam ser programadas as próximas operações." 101

 

  • "O PC do B isenta Pedro Albuquerque de culpa, informa o médico Dower Cavalcante, ex-guerrilheiro que está escrevendo dois livros sobre o conflito. A suspeição do partido pesa sobre a médica obstetra Lúcia Regina de Souza Martins, filha de militares. Ela engavidou e teve a gestação diagnosticada como de alto risco pelo médico e guerrilheiro João Haas Sobrinho. Transferida para São Paulo, contou para a família onde estava durante o período vivido na clandestinidade e os pais alertaram os oficiais do Serviço de Inteligência do Exército. Hoje Lúcia Regina é odontóloga, formada em Minas Gerais. [Ela não estava grávida e sim com brucelose e não foi transferida para São Paulo, foi para Anápolis se tratar e de lá fugiu para São Paulo.]
    O PC do B suspeita ainda de um fugitivo da última campanha da guerrilha, João Carlos Borgeth, estudante de Medicina, codinome Paulo Paquetá, atualmente médico no Rio de Janeiro, com o nome de João Carlos Wisnesky. O Exército atacou primeiro os destacamentos A, onde morava João Carlos e o C, a que pertenciam Pedro e Lúcia Regina. (...) [Lúcia Regina não era do dest. C e sim do A e residia na casa da Faveira, onde houve o primeiro ataque do Exército. João Carlos Wisnesky fugiu da guerrilha em outubro de 1973, dias antes da emboscada em que morreram André Grabois, João Gualberto, Divino de Sousa e Antônio Alfredo.]
    Em Fortaleza, Pedro Albuquerque ficou detido na Polícia Federal, depois no quartel do 5º Batalhão da Polícia Militar. Em seguida foi transferido para o DOI- Codi e PIC em Brasília e levado para Xambioá, na área da guerrilha. Segundo testemunha de um morador da área, Pedro Onça, que viu Albuquerque sendo conduzido pelo Exército em Xambioá, Pará da Lama e Pau Preto, seu estado era lamentável, com sinais evidentes do massacre que lhe estava sendo imposto. Arrastado a vários lugares, ele era chutado, levado de barco, pendurado em helicóptero e tinha um ar de doido. Passou dois meses em Xambioá, torturado todo dia, numa cela sem sanitário." 103

 

  • "Apontado pelo relatório do Exército como autor da confissão que levou à operação antiguerrilha, [Pedro Albuquerque], contesta a versão oficial da história. (...) Não foi preso no aeroporto, sua mulher, que usava o codinome Ana, nunca foi presa e as informações arrancadas sob tortura não levaram à prisão de companheiros. (...) A versão oficial não é a história definitiva. A não ser que haja um militar digno e dissidente para contar, disse ele ...
    Pedro Albuquerque foi preso cinco dias antes do nascimento da filha, na Secretaria de Segurança do Ceará, após tentativa de tirar a carteira de identidade. (...) Segundo ele, nas torturas físicas e psicológicas a que foi submetido, o policial Laudelino Coelho, seu interrogador, fazia referência à preparação da guerrilha, buscando confirmações do que já sabia." 103

 

  • "A operação militar teve três momentos básicos: a Operação Axixá, primeiro combate à guerrilha a partir de fevereiro de 1972, substituída pelo manobrão, uma operação de guerra de grandes proporções, ordenada pelo então ministro do Exército, Orlando Geisel, com mais de três mil militares e apoio da FAB com quatro helicópteros UH, três aviões Búfalo, um C-47, quatro aviões D-19 e quatro T-6 (caças de combate), segundo os documentos obtidos pela sucursal de Brasília do Jornal do Brasil. Mas as duas operações, lideradas pelo Comandante Militar do Planalto, general Vianna Moog, pelo comandante da 3ª Brigada de Infantaria, general Antônio Bandeira, e depois pelo general Hugo Abreu, comandando os pára-quedistas, não teve sucesso em liqüidar a guerrilha devido à extensão da área a ser coberta, entre outros motivos."110

 

  • "Cristino lembra com detalhes a noite da partida de Alice do povoado para a mata, fugindo ele não sabia do quê. Eu lembro que nós matamos um porco, fizemos um sarapatel e todos comemos muito. Criméia se espanta: Mas você era tão pequeno, como consegue lembrar disso tudo? Cristino não fala nada. E nem precisa. Como esquecer que naquela madrugada, em maio de 1972, Alice foi lá, faminta, com Zé Carlos (André Grabois), pedir comida e saber notícias do pai, o colono Eduardo Rodrigues dos Santos, que o Exército, dias antes, levara preso sem maiores explicações?" 120

 

  • "A descrição detalhada quem faz é Sônia, a mais velha: Depois de um tiroteio que os soldados arrumaram na Faveira, jogando bomba dos aviões, meu pai foi solto e voltou lá com o Sabino, um rapaz órfão que morava com a gente e o Lauro, para ver se tinha sobrado ao menos os arames. Nesse dia o meu pai pediu para eles buscarem farinha na venda. Quando voltaram, encontraram uma coisa parecida com uma garrafa, com uma argolhinha do lado, jogada na estrada. O Sabino pegou e o Lauro sentou do lado, para ver o que era aquilo. Quando acordou, o Sabino estava morto, todo estraçalhado, e o Lauro tinha perdido a mão, quebrado costelas, a perna e estava todo ensangüentado, sem poder enxergar." 120

 

  • "Eles ainda não estavam preparados para a guerrilha. Foram surpreendidos pela ação do Exército, que foi alertado para o movimento no Araguaia casualmente – diz o professor.
    - Lúcio Petit, um dos militantes que estavam no Araguaia, tinha uma companheira, Lúcia Regina, que contraiu hepatite e deixou a região. Ela foi tratar-se em São Paulo e contou o que fazia no Araguaia para parentes que eram ligados ao Exército – disse." 171
    "Segundo relatórios de Bandeira e do capitão Curió, os militares tomaram conhecimento dos preparativos da guerrilha em março de 72 com a prisão de Pedro Cavalcanti e de sua mulher Ana, que haviam deixado a área da guerrilha." 255

Bibliografia

2 - O Estado de São Paulo - 10/06/72 - transcrição encontrada nos arquivos do DOPS.

2A - Xerox de texto encontrado nos arquivos do DOPS como material apreendido no aparelho de Ronaldo Mouth Queiroz, intitulado "Resistência Armada à ditadura (Guerrilha no Pará)"

3 - Coojornal - Porto Alegre - junho/78 - "Operação Araguaia".

4 - Movimento - São Paulo - 17/07/78 - "A guerrilha do Araguaia".

4A - A Guerrilha do Araguaia - Editora Alfa Omega - Palmério Dória; Vincent Carelli; Sérgio Buarqur; Jaime Sautchuck - agosto/78. (ver textos no arquivo Araguaia info rev. e livros)

5 - Revista Veja - São Paulo - 06/09/78 - "As guerras secretas".

6 - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - ?/09/78 - pag. 3 - seção Política e governo - "General aguarda liberalização para falar sobre as guerrilhas". (deve ser de 12/0978)

7 - Jornal O Estado de São Paulo - São Paulo - 13/09/78 - pag. 15 - "Hugo Abreu nega ter admitido torturas - "Em Xambioá, a luta é contra..." [ Transcrição na íntegra do artigo publicado pelo mesmo jornal em 24/09/72, intitulado "Em Xambioá, a luta é contra guerrilheiros e atraso" .

8 - Jornal O Estado de São Paulo - São Paulo - 14/09/78 - pag. 20 - "Araguaia: efetivo chegou a 6 mil".

9 - Jornal da Tarde - São Paulo - 13/01/79 - pags. 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7 - "Guerra de Guerrilhas: Contribuição ao estudo da História do Brasil contemporâneo. Capítulo inédito".

10 - Jornal da Tarde - São Paulo - 15/01/79 - pags. 14 e 32 - "Guerra de Guerrilhas: Quando cheguei o negócio fervia"

11 - Jornal da Tarde - São Paulo - 16/01/79 - pags. 12, 13 e 14 - "Guerra de Guerrilhas: Guerrilheiro: o Araguaia não foi um delírio."

12 - Jornal da Tarde - São Paulo - 17/01/79 - pags. 14 e 15 - "Guerra de Guerrilhas: Carta da guerrilha."

13 - Jornal da Tarde - São Paulo - 18/01/79 - pag. 11 - "Guerra de Guerrilhas: Era um mau momento para a luta armada."

14 - Jornal da Tarde - São Paulo - 19/01/79 - pag. 11 - "Guerra de Guerrilhas: As táticas (Como atacavam os guerrilheiros do Araguaia)."

15 - Jornal da Tarde - São Paulo - 20/01/79 - pags. 1, 2 e 3 - "Guerra de Guerrilhas: Ficou o medo."

16 - Movimento - São Paulo - 9 a 15/07/79 - págs 12 e 13 - "Cabeças cortadas do povo da mata".

17 - Diário Nippac - São Paulo - 28/07/79 - ano I - nº 7 - Suplemento Página Um - "Yumiko a "nissei" guerrilheira."

18 - O Globo - Rio de Janeiro - 07/08/79 - "STF nega interpelação a Figueiredo sobre guerrilha do Araguaia - xerox de recorte encontrado no Arquivo do antigo DOPS..

20 - Movimento - São Paulo - 03 a 09/03/80 - pags.8 e 9 - "Era só avião, avião, avião" - entrevista com o jornalista Luiz Maklouf.

21 - O Liberal - Belém - 23/10/80 - 1º caderno - "Famílias em busca de parentes mortos na guerrilha do Araguaia".

22 - O Liberal - Belém - 24/10/80 - 1º caderno - "Caravana do Araguaia visita Assembléia e recebe solidariedade".

23 - O Liberal - Belém - 24/10/80 - 1º caderno - "Caravana começa hoje a correr rota da guerrilha".

24 - A Província do Pará - Belém - 24/10/80 - 1º caderno - "Familiares reclamam definição sobre desaparecidos no Araguaia".

25 - O Estado do Pará - Belém - 24/10/80 - "Ameaça às informações sobre guerrilha".

26 - Jornal de Brasília - Brasília - 07/11/80 - 1º caderno - pag. 5 - "Caravana do Araguaia faz denúncia".

27 - Folha de São Paulo - São Paulo - 11/11/80 - "Parentes de guerrilheiros vão interpelar o governo."

28 - Movimento - São Paulo - 17 a 23/11/80 - pags. 11,12 e 13. - "Uma viagem de volta ao sul do Pará, redescobrindo a guerrilha". - matéria assinada por Luiz Maklouf de Carvalho.

29A - Revista da Ordem dos Advogados do Brasil - anos X/XI - Vols XII/XIII - set./dez./ 1980 - jan./abr./ 1981 - n.ºs 27/28.

30 - Tribuna da Luta Operária - São Paulo - 05 a 11/04/82 - "A guerra do Araguaia dez anos depois."

31 - A Tarde - Salvador/BA - 13/04/82 - "Entidades procuram os desaparecidos."

32 - O Estado de São Paulo - São Paulo - 10/10/82 - pag. 26 - "A prova da morte de Grabois, em 73".

33 - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro 03/12/83 - "Araguaia".

34 - Folheto distribuído pelo Núcleo de apoio à tribuna [da Luta Operária] da Escola Politécnica da Universidade Federa da Bahia, intitulado "Araguaia - No Araguaia agonizante, lutou heróica a liberdade", contendo uma série de artigos de Paulo Fonteles, publicados neste jornal no período de janeiro a abril de 1982.

35 - Tribuna da Luta Operária - São Paulo - 21 a 27/11/83 - "União será julgada por desaparecimento de guerrilheiros."

36 - Última Hora - Brasília - 24/08/84 - "Famílias buscam mortos no Araguaia - Eles morreram na guerrilha."

37 - Folha de São Paulo - São Paulo - 28/08/84 - "Anistia completa cinco anos, mas ainda há muitas queixas."

38 - Tributa da Luta Operária - São Paulo - 08 a 14/04/85 - "Familiares do Araguaia querem a verdade sobre a guerrilha."

39 - Afinal - 21/05/85 - reportagem especial: "Tortura em julgamento."

40 - O São Paulo - São Paulo - 12 a 18 de julho de 1985 - "Advogado quer elucidar desaparecimentos."

41 - Afinal - 16/07/85 - "Desaparecidos na repressão."

42 - Afinal - 30/07/85 - "Página do Leitor: Os mortos do Araguaia".

43 - O São Paulo - São Paulo - 09 a 15 de agosto de 1985 - "Nunca Mais: Atrocidades num país abençoado por Deus." Artigo assinado por Maria Victória Benevides.

44 - Tribuna de Santos - Santos - 20/08/85 - "Justiça ouve testemunhas da guerrilha."

45 - Última Hora - Rio de Janeiro - 20/08/85 - "Ação judicial cobra mortos no Araguaia."

46 - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 20/08/85 - "Brossard quer saber se há outros torturadores em embaixadas do Brasil."

48 - Correio Brasiliense - Brasília - 21/08/85 - "Deputados depõem sobre o Araguaia."

49 - O São Paulo - São Paulo - 23 a 29 /08/85 - "Ministro admite Guerrilha do Araguaia".

51 - O São Paulo - São Paulo - 30/08 a 05/09/85 - "Torturador é reconhecido, 15 anos depois."

52 - Isto é - 04/09/85 - "Novidades do front." - matéria assinada pelo jornalista Raymundo Costa.

53 - O São Paulo - São Paulo - 06 a 12/09/85 - "Anistia, amnésia e revanchismo"- artigo assinado por Luiz Eduardo Greenhalg.

54 - Última Hora - Rio de Janeiro - 11/10/85 - "Processo sobre guerrilha encerra os depoimentos."

55 - Correio Brasiliense - Brasília - 10/10/85 - "Famílias de desaparecidos levam União à Justiça."

56 - Correio Brasiliense - Brasília - 11/10/85 - "União terá que explicar morte na luta armada."

57 - O São Paulo - São Paulo - 18 a 24/10/85 - "Desaparecidos: familiares aguardam sentença."

59 - Diário do Grande ABC - São Bernardo do Campo - 24/09/85 - caderno B - pag. 16 - "Uma guerra sem tiros, despistamentos, cerco e fuga no meio da selva." - reportagem assinada por Aleksandar Jovanovic.

61 - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 08/12/85 - pag. 29 - "Guerrilha e repressão deram ao lugar a feição atual.." - reportagem de William Waack.

63 - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 20/12/85 - 1º caderno - pag. 13 - "Mortos na repressão dão seus nomes a ruas do Rio." - reportagem de Graciela Mendes.

64 - Veja - 26/02/86 - "Para a planície - Tibiriçá leva Ustra para a reserva".

65 - O Estado de São Paulo - São Paulo - 08/03/86 - "E fala às mulheres. Aplausos, emoção." Artigo assinado por Imara Stalbaum.

66 - Tribuna da Imprensa - Rio de Janeiro - 29/04/86 - "O Natal macabro de 1973 no Araguaia." Artigo assinado por Edmar Morel.

67 - Folheto publicado pelo Partido Comunista do Brasil denominado "Araguaia - 15 anos" - Entrevista com João Amazonas - São Paulo - 12/04/87 -

68 - Folha de São Paulo - São Paulo - 02/05/87 - caderno A - pag. 13 - "A anistia a torturadores reforça impunidade, diz diretor da AI." - Artigo assinado por Cassia Rocha - tradutora da Folha.

70 - O São Paulo - São Paulo - 05 a 11/06/87 - "Lei de Anistia é criticada durante o lançamento do grupo "Tortura Nunca Mais."

71 - Jornal Fato Expresso - Embu/SP - 07/12/87 - "Tortura Nunca Mais".

73 - Jornal da Tarde - São Paulo - 12/09/88 - "Uma arma contra as forças ocultas."

74 - Folha de São Paulo - São Paulo - 06/10/88 - Caderno A - pag. 4 - Política - "Painel".

75 - Xerox de folha de revista sem nome nem data - Cinema - "Por uma questão de Justiça - Parentes de brasileiros desaparecidos se comovem com o drama argentino do filme A História Oficial" - artigo assinado por Helena Carone.

76 - Xerox de recorte de jornal sem nome e sem data - "Sargento suspeito é pára-quedista."

77 - Manchete - Rio de Janeiro 22/10/88 - n.º 1905 - "Desaparecidos: Uma tragédia brasileira." Reportagem de Hélio Contreiras, Kátia Pompeu, Fábio Antônio (RJ), Elsie Rotemberg (SP) e Antenor Barreto (BA).

78 - Folha de São Paulo - São Paulo - 04/06/89 - caderno A - pag. 12 - "SNI não dá informações sobre os guerrilheiros mortos no Araguaia."

79 - Jornal da Tarde - São Paulo - 13/03/90 - "Curió quer pedir a reabertura do caso Araguaia." Artigo assinado por Luiz Maklouf Carvalho.

80 - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 06/11/90 - 1º caderno - pag. 14 - 2ªedição - "Mortos do Araguaia podem estar em Perus."

81 - Araguaia: relato de um guerrilheiro - Glênio Sá - Editora Anita Garibaldi - São Paulo - 1990.

82 - Atestado, em papel timbrado da prefeitura de São João do Araguaia, assinado pelo prefeito José Freire Falcão, datado de 27/04/73.

86 - Diário Popular - São Paulo - 01/01/91 - 1ºcaderno - pag. 3 - "Peritos iniciam análises de ossadas - caravana procura seis corpos."

87 - Diário Popular - São Paulo - 02/01/91 - 1ºcaderno - pag. 3 - "Xambioá ainda esconde ossadas de militantes."

90 - Correio Brasiliense - Brasília - 28/08/91 - "Busca de desaparecidos políticos terá respaldo."

91 - Relatório de viagem à região do Araguaia à Comissão Justiça e Paz, feito por Dower Moraes Cavalcante, em 10/12/91.

92 - Folha de São Paulo - São Paulo - 21/01/92 - 1º caderno - pag. 4 - "Garoto procura foto do pai no arquivo do DOPS".

93 - O Estado de São Paulo - São Paulo - 23/01/92 - 1º caderno - pag. 10 - artigo assinado por Roldão Arruda - "DEOPS: Arquivo começa a ser vasculhado."

94 - Gazeta do Paraná - Curitiba - 23/02/92 - pag 16 - artigo assinado por Rodolfo Spínola - "Guerrilha do Araguaia será contada em livro. Aqui e no Japão."

95 - Diário Popular - São Paulo - 19/03/92 - 1º caderno - pag. 14 - "Primeiras fotos das vítimas da ditadura militar no Brasil".

96 - Diário Popular - São Paulo - 19/03/92 - 1º caderno - pag. 14 - "Somem pastas do Araguaia".

97 - Metrô News - São Paulo - 19/03/92 - capa - "Filho dos porões." - e última página - "Arquivos violados?"

98 - Jornal da Tarde - São Paulo - 19/03/92 - pag. 18 - "Segredos da repressão - Aberto arquivo que conta história dos desaparecidos."

99 - O Globo - Rio de Janeiro - 19/03/92 - 1º caderno - pag. 8 - "Comissão acha nos arquivos do Deops foto de Sônia Jones - Filho de Grabois vê foto do pai que não conheceu."

101 - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 22/03/92 - capa e 1º caderno - "Um mistério chega ao fim"; capa e pag. 19 - "Relatório mostra como Exército venceu a guerrilha."- artigo assinado por Etevaldo Dias e Ronaldo Brasiliense.

102 - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 23/03/92 -1º caderno - pag. 4 - "Exército atacou Igreja após vencer luta no Araguaia."- artigo assinado por Etevaldo Dias e Ronaldo Brasiliense.

103 - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 24/03/92 - capa e 1º caderno - pag. 4 - "Família de Grabois quer que Exército devolva corpo." - artigo assinado por Etevaldo Dias e Ronaldo Brasiliense.

104 - Isto é Senhor - n.º 1173 - 29/03/92 - pag. 27 - "Uma luz no porão - Reveladas as fichas dos ´desaparecidos´".

105 - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 05/04/92 - capa e 1º caderno - pag. 16 - "Exército tinha agente dentro do PC do B." - artigo assinado por Ronaldo Brasiliense.

106 - Correio Brasiliense - Brasília - 06/04/92 - 1º caderno - pag. 2 - "Arquivos de 64 podem ser abertos".

107 - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 12/04/92 - 1º caderno - pag. 17 - "A lei da selva do Araguaia - população civil foi vítima dos dois lados." - artigo assinado por Ronaldo Brasiliense.

108 - O Globo - Rio de Janeiro - 16/04/92 - 1º caderno - pag. 9 - "Parentes querem ver arquivos dos sumidos.

109 - Veja - 20/05/92 - pags. 40 a 45 - "Anatomia da sombra". - artigo assinado por Expedito Filho.

110 - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 07/06/92 - 1º caderno - pag. 18 - "Exército registrou mortes de guerrilheiros." - artigo assinado por José Mitchell.

111 - Folha da Tarde - São Paulo - 17/08/92 - caderno Cidade - pag. 3 - "Filhos da rebeldia mostram a cara".

112 - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 03/12//92 - 1º caderno - pag. 8 - "Militares enterraram guerrilheiros na selva - Relatório de oficial é a primeira prova de que desaparecidos do Araguaia são considerados mortos em combate pelo Exército." - artigo assinado por Ronaldo Brasiliense.

113 - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 04/12//92 - 1º caderno - pag. 7 - "Zoroastro admite abrir os arquivos da ditadura." - artigo assinado por Ronaldo Brasiliense.

114 - O Globo - Rio de Janeiro - 19/12/92 - pag. .... - "Exército confirma ação antiguerrilha no Araguaia". - artigo assinado por Amauri Teixeira.

115 - Folha de São Paulo - São Paulo - 05/01/93 - pag. 7 - "Regime militar: Governo procura desaparecidos." - artigo assinado por Raquel Ulhôa da sucursal de Brasília.

116 - O Globo - Rio de Janeiro - 02/02/93 - pag. 2 e 7 - "Comissão acha ossada no Pará"; e "Achadas ossadas em fazenda no Pará".

117 - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 02/02//93 - 1º caderno - pag. 8 - "Corrêa pede prazo para interdição de cemitério."

118 - Correio Brasiliense - Brasília - 02/02/93 - 1º caderno - pag. 2 - "Ossos na Justiça".

119 - Jornal de Brasília - Brasília - 02/02/93 - pag. 5 - "Conissão quer apurar ossadas em cemitério."

120 - Manchete - Rio de Janeiro - n.º2.131 - 06/02/93 - capa e pags. 16 a 24 - "Araguaia: de volta ao front da guerrilha."

121 - Folha de São Paulo - São Paulo - 07/02/93 - pag. 12 - "Desaparecidos: Deputados procuram pistas de guerrilheiros."

122 - O Globo - Rio de Janeiro - 09/02/93 - pag. 2 - "Panorama Políticoa - Exumando a história".

123 - O Globo - Rio de Janeiro - 09/02/93 - pag. 7 - "Polícia Federal vai procurar cemitérios de guerrilheiros".

124 - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 10/02//93 - 1º caderno - "DPF busca ossadas no Araguaia."

125 - Veja - 10/02/93 - n.º 1274 - pags. 26, 27 e 28 - "De volta ao gatilho" - artigo assinado por Mario Rosa.

126 - O Globo - Rio de Janeiro - 11/02/93 - pag. 2 - "Panorama Políticoa - .Não se perca pelo nome".

128 - Folha de São Paulo - São Paulo - 12/02/93 - "Desaparecidos: Comando militar recusa investigações."

129 - Folha de São Paulo - São Paulo - 12/03/93 - "Outra instância."

130 - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 26/04//93 - 1º caderno - "Governo dará pensão a família de desaparecido."

131 - Folha de São Paulo - São Paulo - recorte sem data - 3º caderno - "Violência: Reparação pelos desaparecidos". - artigo assinado por Ricardo Brandão.

132 - Correio Brasiliense - Brasília - 23/05/93 - "Famílias de desaparecidos pedem CPI sobre arquivos".

133 - Correio Brasiliense - Brasília - 28/05/93 - "Tortura rejeita".

134 - Hoje na Câmara - Brasília - 25/05/93.

136 - O Estado de São Paulo - São Paulo - 18/08/93 - 1º caderno - pag. 11 - artigo assinado por Vannilo Mendes - "TRF determina abertura de arquivo sobres guerrilha."

137 - O Globo - Rio de Janeiro - pag. 5 - 18/08/93 - "TRF manda abrir arquivos da guerrilha do Araguaia".

138 - O Globo - Rio de Janeiro - 18/08/93 - pag. 5 - "TRF apóia pretensões de famílias de desaparecidos" e "Câmara discute pensão" - artigo assinado por Flora Holzman.

139 - Folha de São Paulo - São Paulo - pag. 11 - 1º caderno - 18/08/93 - "Forças Armadas terão que localizr corpos."

140 - Correio Brasiliense - Brasília - pag. 4 - 18/08/93 - "TRF obriga Exército a abrir arquivo sobre desaparecidos".

141 - O Estado de São Paulo - São Paulo - 19/08/92 - " Exército deverá recorrer no caso dos desaparecidos."

142 - Correio Brasiliense - Brasília -19/08/93 - "Exército insiste no sigilo sobre os desaparecidos".

143 - Discurso do Dep. Fed. Nilmário Miranda na Câmara Federal, no dia 19/08/93.

144 - Xerox de jornal sem nome e sem data - "Comissão pede reconhecimento dos desaparecidos políticos a Itamar" - artigo assinado por Guarabyra Neto..

145 - Xerox de jornal sem nome e sem data - "Familiares dos presos políticos serão indenizados".

146 - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 11/10//93 - 1º caderno - pag. 2 - "Coronel falará de guerrilha na Câmara."

147 - Veja - 13/10/93 - n.º 1309 - pags. 16, 17, 18,19, 20, 21, 21, 24, 25, 26, 27 e 28 - "Eu vi os corpos queimados. " - artigo assinado por Rinaldo Gama.

148 - Folha de São Paulo - São Paulo - pag. 17 - 1º caderno - 12/12/93 - "Marinha confirma morte de desaparecidos." - artigo assinado por Mário Simas Filho.

149 - Jornal da UEM - Universidade Estadual de Maringá - Maringá - Agosto/Setembro/94 - <



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